"Procuro evitar comparações entre flores e declarações" ♪

sábado, 15 de janeiro de 2011

Não tem jeito.

Há uns dias atrás, tive uma conversa franca com meu pai, de tudo que está acontecendo hoje conosco, de como as coisas mudaram, de como está a vida, diferente de 5 ou 10 anos atrás.
Sentamos, abrimos uma cerveja e a história começou aí. Quem diria? Aquela mocinha, frágil, quieta e delicada ali, no século XXI bebendo uma com seu pai, que te mimou, cuidou e despercebido não a viu crescer.
O tempo passa, pai. Não tem jeito. E ele me disse que não me vê como sou hoje, e ainda enxerga em meus olhos a pequena anjinha dele. Claro que eu não vou discordar, nem quero magoá-lo. Mas o tempo passou rápido demais pra nós. E agora temos que admitir que é assim.
Sempre fui muito ligada com meu pai, mais que com a minha mãe. Não sei se é por causa do emprego dele de ele estar sempre mais ausente, ou pelo fato daquela história de que meninas sempre são mais apegadas com o pai. Mas, sempre senti ciúmes dele, desde pequena, até mesmo ciúmes dele com minha mãe. O que será que eu tinha em mente, né? Mas era uma coisa minha. Ao vê-lo chegar de viagem era aquela alegria, aquelas euforia toda de novamente poder abraçar o MEU pai.
Fui pra escola, me formei, passei no vestibular e hoje estou na universidade. Entendo que tudo isso é difícil demais pra acompanhar. Eu sei. Quando eu lhe der netos, minha vontade será de tê-los ali, em baixo das minhas asas e dentro do ninho, na agonia de não deixá-los escapar de mim, de não deixar meus filhos verem o que é 'o mundo'. Tá, mas isso é loucura, claro que é! Por mais que eu imagine que essa será a minha vontade, não vou fazer isso, não quero privá-los da vida de forma alguma. Tentarei ser o que meus pais foram pra mim e se possível até melhor! Mas creio que serei uma mãe liberal, mas impondo sempre os limites primordiais.
A questão é que, a conversa que tive com meu pai, me fez perceber que por mais que eu tenha crescido, ele não vai entender nunca. Não sei se 'entender' é a palavra. Acho que "acostumar" é mais correto. Ele nunca vai acostumar que não tenho mais 1 metro de altura e nem caibo mais no colo dele. Hoje sou mulher, mesmo não deixando de ter o carinho de ser a eterna menininha do papai.

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