Há uns dias atrás, tive uma conversa franca com meu pai, de tudo que está acontecendo hoje conosco, de como as coisas mudaram, de como está a vida, diferente de 5 ou 10 anos atrás.
Sentamos, abrimos uma cerveja e a história começou aí. Quem diria? Aquela mocinha, frágil, quieta e delicada ali, no século XXI bebendo uma com seu pai, que te mimou, cuidou e despercebido não a viu crescer.
O tempo passa, pai. Não tem jeito. E ele me disse que não me vê como sou hoje, e ainda enxerga em meus olhos a pequena anjinha dele. Claro que eu não vou discordar, nem quero magoá-lo. Mas o tempo passou rápido demais pra nós. E agora temos que admitir que é assim.
Sempre fui muito ligada com meu pai, mais que com a minha mãe. Não sei se é por causa do emprego dele de ele estar sempre mais ausente, ou pelo fato daquela história de que meninas sempre são mais apegadas com o pai. Mas, sempre senti ciúmes dele, desde pequena, até mesmo ciúmes dele com minha mãe. O que será que eu tinha em mente, né? Mas era uma coisa minha. Ao vê-lo chegar de viagem era aquela alegria, aquelas euforia toda de novamente poder abraçar o MEU pai.
Fui pra escola, me formei, passei no vestibular e hoje estou na universidade. Entendo que tudo isso é difícil demais pra acompanhar. Eu sei. Quando eu lhe der netos, minha vontade será de tê-los ali, em baixo das minhas asas e dentro do ninho, na agonia de não deixá-los escapar de mim, de não deixar meus filhos verem o que é 'o mundo'. Tá, mas isso é loucura, claro que é! Por mais que eu imagine que essa será a minha vontade, não vou fazer isso, não quero privá-los da vida de forma alguma. Tentarei ser o que meus pais foram pra mim e se possível até melhor! Mas creio que serei uma mãe liberal, mas impondo sempre os limites primordiais.
A questão é que, a conversa que tive com meu pai, me fez perceber que por mais que eu tenha crescido, ele não vai entender nunca. Não sei se 'entender' é a palavra. Acho que "acostumar" é mais correto. Ele nunca vai acostumar que não tenho mais 1 metro de altura e nem caibo mais no colo dele. Hoje sou mulher, mesmo não deixando de ter o carinho de ser a eterna menininha do papai.